domingo, 26 de junho de 2022

Queda de cabelo no 1º ano pós-parto

 

Foto Arquivo Pessoal: Luisa Tavares

Uma das queixas mais comuns dos primeiros meses após nascimento do bebê é a queda de cabelo. E ela pode ser tão intensa que muitas mulheres têm a impressão que “ficarão carecas”. Calma. Não é bem assim.

O crescimento de cabelos e dos pelos aumenta durante a gravidez. O cabelo do couro cabeludo fica mais espesso, e o aparecimento de pelos finos em regiões menos usuais (como face) pode ocorrer. 

Isso acontece devido à alteração da progressão normal dos cabelos na fase do crescimento (chamado período anágeno) para a fase de repouso (chamado período telógeno) criando um aumento relativo nos cabelos. 

E essa relação se inverte no pós-parto, ou seja: há um prolongamento do período telógeno em relação ao anágeno, o que chamamos de eflúvio telógeno.

Vídeo Arquivo Pessoal: Luisa Tavares

Portanto, eflúvio telógeno é a perda de cabelo comumente observada de 1 a 5 meses após o parto. Além disso, os pêlos do couro cabeludo podem ficar finos dando a impressão de “cabelo escasso”. 

Geralmente é autolimitada com a restauração dos padrões normais de cabelo em 6 a 15 meses após o parto, mas o cabelo do couro cabeludo pode nunca ser tão denso quanto antes da gravidez.

Foto Arquivo Pessoal: Luisa Tavares

Foto Arquivo Pessoal: Luisa Tavares

Raramente, no final da gestação, o cabelo na região da testa recua em uma forma leve caracterizando a alopecia androgênica. Ela geralmente se resolve no pós-parto, mas pode persistir. 

As unhas, que também crescem mais rapidamente durante a gestação, podem sofrer transformações: criar fendas ou sulcos transversais, ocorrer a separação indolor da unha do seu leito, ficar mole ou quebradiça, ou mesmo com estrias pigmentadas. Todos esses eventos poderão regredir espontaneamente no 1º ano pós-parto.

Foto Arquivo Pessoal: Luisa Tavares

O eflúvio telógeno pode também ser causado por deficiências do organismo ou doenças (como a anemia e o hipotireoidismo, por exemplo), por isso a avaliação médica se faz importante. 

Quando a causa não pode ser identificada ou removida pode persistir por ano. Embora a calvície completa não ocorra, é motivo de ansiedade e preocupação entre as mulheres.

Vídeo  Arquivo Pessoal: Luisa Tavares

O tratamento baseia-se na reposição dos fatores identificados como deficientes. Na ausência deles, questiona-se se o uso de medicações seria eficaz. Loções aplicadas diretamente no couro cabeludo, reposição de ferro e vitaminas são medidas utilizadas na prática clinica mas sem comprovação cientifica. 

Para quem tem cabelo muito oleoso, seria importante fazer terapêuticas que reduzissem essa oleosidade para melhorar o padrão da queda. Para se dizer que um tratamento não deu resultado são necessários pelo mesmo 12 meses de uso, logo a persistência pode trazer bons resultados.


Fonte: UpToDate, 2019


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